Apesar da pouca idade, o presidente da Apex-Brasil, o gaúcho Alessandro Teixeira, já ostenta um currículo invejável. Aos 37 anos, acumula passagens pela presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e pelo Governo Federal, onde atuou como coordenador da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Desde abril de 2008, está à frente, também, da Associação Mundial de Agências de Promoção de Investimentos (Waipa). Teixeira tem alavancado a participação brasileira no mercado internacional desde que assumiu o comando da Apex-Brasil, em 2007. Hoje, a Agência trabalha com 1.848 empresas exportadoras, representando 63 setores da economia brasileira. No dia 31 de agosto, Teixeira estará na Expointer, divulgando as ações da agência no agronegócio, conforme conta na entrevista a seguir:
Equipe Editorial - Atualmente, como é a imagem do Brasil no exterior, relacionada à oportunidade de negócios?
Alessandro Teixeira - A imagem do Brasil no exterior tem sido cada vez melhor posicionada. O Brasil, hoje, é compreendido como um dos principais países no cenário econômico internacional, não só por ter uma capacidade muito boa de expressão durante a crise, mas principalmente por termos sido um dos protagonistas no cenário internacional com dados como o crescimento da exportação e ampliação do mercado interno, batendo recordes na área de investimento. Então, hoje, a imagem do Brasil no exterior começa a se consolidar como um dos atores centrais dos países emergentes. O termo BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) veio a referendar esse posicionamento da imagem do Brasil. Atualmente, a Apex está em mais de 740 eventos internacionais, desses 740, 350 são feiras. Fomos, recentemente, classificados por uma entidade das nações unidas o ITC (International Trade Centre), como umas das melhores agências de promoção de exportações. Além disso, a Apex-Brasil é considerada pelo Banco Mundial umas das melhores agências de atração de investimentos. Então tudo isso faz com que a imagem do Brasil cada vez se consolide mais.
Equipe Editorial - E o que torna o Brasil competitivo no mercado internacional? Quais são os principais atrativos do país?
Alessandro Teixeira - Do ponto de vista de exportação, o que torna o Brasil competitivo é a diversidade e a qualidade de seus produtos. O setor de calçados, por exemplo, tem alta qualidade com um preço mais reduzido. Outro exemplo seria o setor alimentício, que tem a capacidade de produzir diferentes alimentos, com diferentes níveis de qualidade. A atratividade está em função do nosso grande mercado interno, dos recursos humanos e recurso naturais que o Brasil possui. Esses são os pontos que eu diria que fazem com que o Brasil seja diferente dos outros. Quando tu pensas na fronteira de expansão agrícola e na capacidade de produção de energia, necessariamente tu pensas no Brasil. Não só pelos recursos naturais que temos, como petróleo e fósseis, como também toda a parte de recursos hídricos que o Brasil possui. Então, o Brasil é hoje – e vai continuar sendo - um grande produtor de alimentos. Também é um grande produtor de energia, continuará sendo. E a indústria se sofistica cada vez mais e trabalha com aspectos de alta tecnologia, que fazem com que os produtos brasileiros incorporem um valor adicionado importante.
Equipe Editorial - Quais são as possibilidades de crescimento no mercado internacional, principalmente na área de agronegócios?
Alessandro Teixeira - Muito forte. Hoje o Brasil é um dos principais produtores mundiais em diferentes áreas do agronegócio. Há um aumento significativo da demanda internacional, principalmente com o crescimento da China, e mesmo com a perda de oportunidade nos Estados Unidos, temos registrado ganhos. Então, do ponto de vista do setor de agronegócio, o Brasil possui uma competitividade diferenciada no cenário internacional, porque é um país que tem solo e clima propícios, além da diversificação da sua produção: produz toda a parte de grãos, frutas, sucos, alimentos industrializados e carnes. Sem contar que somos um dos maiores produtores, e isso tem aumentado a demanda mundial. A China vem demandando mais, devido ao seu crescimento. Os Estados Unidos decaiu um pouco, mas vai continuar demandando. Há oportunidade e o agronegócio deve ser um dos setores que irá liderar as exportações brasileiras, tanto em 2009 quanto 2010 e 2011.
Equipe Editorial - Qual a importância da Expointer deste ano, com a participação da Apex-Brasil?
Alessandro Teixeira – A Expointer é a grande feira de apresentação da nossa diversidade produtiva. Não mais só do homem do campo, mas principalmente, aquilo que o homem transforma e como transforma no campo, principalmente na questão de máquinas e equipamentos. Na Expointer está representado o que há de melhor na produção brasileira, do agronegócio brasileiro. A Apex-Brasil é a principal apoiadora da promoção dos produtos agroindustriais, desde o café até o vinho, e neste ano, estamos apoiando a erva-mate, o leite, a genética do gado brasileiro e dos cavalos. Além disso, apoiamos toda a parte de produção industrializada do nosso alimento, que vai desde os chocolates, balas e confeitos, até máquinas e equipamentos no setor de panificação. Toda a parte da carne produzida, tudo isso faz com que a Apex-Brasil não possa ficar fora da feira. Sem dúvida alguma, a Expointer se torna, cada vez mais, um lugar extremamente importante, não só para aprendermos sobre a evolução da nossa diversificada produção, mas principalmente para colocar o produto brasileiro da melhor forma possível no cenário internacional.
Equipe Editorial - Como a crise afetou o setor de agronegócios no Brasil?
Alessandro Teixeira - A crise afetou o setor de agronegócios no mundo como um todo. Alguns setores tiveram um baque muito forte, mas ao mesmo tempo a crise criou para o Brasil uma oportunidade de entrar em mercados que estão com dificuldades. Por exemplo, o mercado de carnes teve uma redução do consumo, mas ao mesmo tempo teve países como a Irlanda e Austrália, em dificuldades maiores do que o Brasil. No caso do frango, a gente tem aumentado a nossa produção, e, provavelmente, correm bem as exportações. Portanto, eu vejo essa crise como uma oportunidade para o setor de agronomia brasileiro de se inserir de forma mais eficiente no cenário internacional.
Equipe Editorial - Como o país deve atuar agora, no momento de crise?
Alessandro Teixeira - O país deve ter consciência da crise, e observar atentamente cada um dos movimentos desse cenário, além de estar sempre sob resguarda do ponto de vista de o que fazer. Então a crise, pela sua característica, é dinâmica, e deve ter sempre capacidade de mudar e alterar sua estrutura, não só de vendas, mas sua estrutura de marketing. Nós achamos que é um momento importante para fortalecer a estrutura de promoção comercial do Brasil, fortalecer os eventos que nós estamos fazendo no exterior, como forma de, no posicionamento estratégico brasileiro, estar melhor quando a crise tiver passado.
Equipe Editorial - Diversos estados brasileiros tem aplicado princípios de gestão de qualidade em seus governos. Como essa mudança de postura dos governos reflete na imagem do Brasil no exterior?
Alessandro Teixeira - Qualquer sistema de gestão que melhore a qualidade e a eficiência, e que modernize o sistema de gestão é bem-vindo. O trabalho que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter faz, por exemplo, envolve qualidade e inovação. Hoje, o Movimento Brasil Competitivo (MBC), liderado pelo Dr. Jorge, tem a capacidade de trazer para as empresas e para o sistema de gestão pública um conceito moderno de gestão, e visa maximizar os recursos e minimizar perdas. Então, do ponto de vista de gestão, qualquer trabalho que seja feito nas entidades e em qualquer instituição, que vise aprimorar a qualidade e a eficiência administrativa, é fundamental. E a única pessoa que segura e defende essa bandeira é o Dr. Jorge Gerdau. Ele está de parabéns.
Agosto/2009
Entrevista concedida com exclusividade para a equipe editorial do PortalQualidade.com.
Entrevista e edição: Vivian Schneider
Direção: Raquel Boechat
Enfato Comunicação Empresarial
(51) 30.261.261
www.enfato.com.br